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Com acordo entre EUA e UE, Brasil entra em semana decisiva para negociar e evitar o tarifaço

  • Foto do escritor: SBC Urgente
    SBC Urgente
  • 28 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Menos de uma semana antes do fim do prazo para entrada em vigor do tarifaço, Estados Unidos e União Europeia (UE) fecharam um acordo que prevê tarifas de 15%, evitando que a ameaça de sobretaxa de 30% para os 27 Estados-membro se tornasse realidade. A medida deve trazer alívio aos mercados neste começo de semana por reduzir incertezas a respeito do comércio global.


Mas a proximidade da data-limite de 1º de agosto aumenta a pressão sobre o Brasil, que ainda não conseguiu estabelecer um canal direto de negociação com a Casa Branca e busca negociar para não enfrentar o risco de lidar com tarifas de 50%.


O acordo foi anunciado após reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen no resort de golf de Trump em Turnberry, na Escócia. O entendimento prevê tarifa-base de 15% sobre a maioria dos produtos, inclusive automóveis. Aço e alumínio seguirão com taxa de 50%.


Produtos farmacêuticos e metais ficaram de fora do acordo, segundo Trump. O acerto prevê investimentos de US$ 600 bilhões nos EUA, compra de US$ 750 bilhões em produtos energéticos nos próximos três anos e a promessa de adquirir “grandes quantidades” de equipamentos militares americanos.


Ainda assim, o acordo representa um aumento em relação à tarifa recíproca anunciada por Trump em abril sobre produtos europeus, de 10%.


Estratégia de negociação

Os termos do entendimento dão indícios da estratégia de Trump. A tarifa-base é a mesma fechada com o Japão e parece ser uma espécie de piso. Em contrapartida, os EUA têm exigido investimentos bilionários no país. Na semana passada, o Japão se comprometeu com aportes de US$ 550 bilhões.


— Acho que será ótimo para ambas as partes — disse Trump após o encontro, acrescentando que não haverá tarifas para produtos americanos exportados para a Europa. — Temos a abertura de todos os países europeus, que eu posso dizer que estavam essencialmente fechados.


A tarifa média aplicada no bloco hoje é de 2,8%, segundo dados da Organização Mundial do Comércio. O entendimento selado ontem foi definido por Trump como “o maior de todos os acordos”.


A presidente da Comissão Europeia afirmou que o acordo “trará estabilidade” e “previsibilidade”.


— Queríamos reequilibrar o comércio que realizamos — afirmou.


Caso não tivesse sido possível chegar a um acordo, a UE já havia elaborado um plano de retaliação que alcançaria um terço das exportações americanas para o bloco, o equivalente a US$ 117 bilhões, com tarifas de 30%. O anúncio encerrou meses de diplomacia intensa e, por vezes, tensa entre Bruxelas e Washington.


Michael Brown, estrategista sênior da Pepperstone, disse à Fortune que as montadoras europeias estão entre os vencedores do acordo já que as tarifas de automóveis devem cair dos atuais 25% para 15%, assegurando o mesmo patamar alcançado pelo Japão. Os setores de defesa e de energia dos EUA também são apontados entre os que saíram da negociação com saldo positivo.


Segundo analistas, embora as tarifas acordadas até agora sejam menores que as ameaçadas a partir de agosto, haverá impacto na tomada de decisão de empresas e nos preços de produtos para os americanos.


No ano passado, o déficit dos EUA com os 27 Estados-membros da UE foi de US$ 235,6 bilhões. Esse é um dos pontos que evidenciam a dificuldade de negociação para o Brasil, já que os EUA já são superavitários nas transações comerciais com o país. Diante da situação, Trump está preparando uma nova base legal para aplicar o tarifaço contra o país, já que a lei de emergência não se enquadraria.


O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que não se pode comparar o acordo de Trump com a UE com a ameaça de tarifa de 50% ao Brasil. O governo Lula argumenta que os EUA querem colocar em discussão processos em andamento no Judiciário brasileiro.

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