Na contramão do País, Grande ABC registra redução de imigrantes
- SBC Urgente

- 27 de jul. de 2025
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Número de estrangeiros no Grande ABC caiu 5,6% em12 anos e, no Brasil, teve alta de 70%; custo de vida elevado pode ser uma das causas
Na contramão do Brasil, o número de imigrantes vivendo no Grande ABC reduziu 5,6% em 12 anos e passou de 15.140 pessoas, em 2010, para 14.296, em 2022, de acordo com dados do último Censo Demográfico. No País, esse grupo cresceu 70,3% em 12 anos. Subiu de 592 mil para 1 milhão de indivíduos.
A maior queda dessa população foi contabilizada em São Caetano, que registrou 1.646 estrangeiros em 2022, enquanto que, em 2010, esse número era de 2.397. Na sequência, as cidades com redução na população estrangeira foram São Bernardo (-15,3%), Santo André (-4,9%) e Ribeirão Pires (-7,2%). Já Mauá seguiu a tendência nacional e registrou crescimento de 65,1% no período, com elevação de 834 para 1.377 pessoas. Outras cidades que contabilizaram alta foram Diadema (40,2%) e Rio Grande da Serra (19,6%).
Alguns fatores podem ter influenciado a redução de estrangeiros na região, como custo de vida elevado, especialmente em relação à moradia, conforme explica o professor de Ciências Sociais do UniArnaldo Centro Universitário (MG), Luciano Gomes dos Santos. “O Grande ABC ainda carrega peso industrial e cultural significativo, mas enfrenta um cenário de estagnação econômica e demográfica. Entre os motivos plausíveis, destaca-se a limitação na oferta de empregos formais, ausência de políticas públicas estruturadas de acolhimento e dificuldades de acesso ao mercado de trabalho e à documentação”, ressalta o docente.
Os países com maior número de residentes no Grande ABC são a Venezuela, com 1.256 pessoas, seguida por Bolívia, com 296, e Japão, com 285. Completam o ranking Estados Unidos (242), Haiti (240), Colômbia (185), China (128), Irlanda (116), Alemanha (110) e Angola (105).
Sobre o crescimento de residentes naturais de países estrangeiros no Brasil, o cientista social destaca que o País ainda mantém uma legislação mais acolhedora em comparação a outras nações, como os Estados Unidos. O aumento da xenofobia e o endurecimento de políticas influenciam diretamente as decisões e rotas migratórias.
“A percepção de hostilidade, seja por meio de discursos políticos, leis discriminatórias ou violência simbólica e física, faz com que muitos migrantes evitem determinados destinos, mesmo que tenham melhores oportunidades econômicas. Em contrapartida, países que mantêm uma postura mais acolhedora, ainda que com menos recursos, acabam se tornando refúgios possíveis”, pontua Santos.
DESTINO
Apesar da queda de residentes estrangeiros em 12 anos, a região continua sendo o destino para muitos imigrantes, seja pela influência de algum familiar ou pela qualidade de vida. Como é o caso do paquistanês Muhammd Arsalan, 33 anos, que mora há dez anos em São Caetano. Ele trabalha como barbeiro no bairro Cerâmica e chegou ao município por influência da internet.
“Vim passear no Brasil, gostei do País e decidi tentar uma vida melhor aqui. Morei quatro meses na Barra Funda (na Capital), mas não gostei do bairro, então procurei qual era a melhor cidade para se viver no Estado e apareceu São Caetano. Cheguei com a cara e a coragem para tentar uma vida melhor para minha família. Me casei, separei e hoje tenho uma filha de 6 anos”, diz Arsalan. Ele viaja uma vez por ano ao Paquistão para matar a saudade de familiares e também da culinária do sul da Ásia.
Além do acolhimento, a economia brasileira atrai diversos estrangeiros, principalmente de países da América Latina, que buscam melhores condições de vida. Foi com essa promessa que a técnica em automação de petróleo, Jany Karely Manaure Raaz, 54, deixou há três anos a Venezuela para morar em São Bernardo.
“Alguns parentes já estavam aqui e me ofereceram apoio. Deixei meu país por causa da situação econômica. Lá você encontra empregos, mas o salário é muito baixo e não é suficiente para sustentar a família. Já aqui no Brasil existem oportunidades, mas é difícil encontrar algo na sua área de formação”, desabafa Karely, que trabalha hoje como doméstica.
A venezuelana destaca que essa foi a sua maior dificuldade na adaptação no Brasil, pois nunca conseguiu exercer sua profissão. Em contrapartida, a sua parte preferida do País é a aceitação do povo brasileiro em relação aos imigrantes. “E também todo o suporte em relação à documentação. A cultura é muito parecida e a língua muda um pouco, aqui eles falam mais rápido”, brinca.
ACOLHIMENTO
Em relação às políticas públicas voltadas para o acolhimento de imigrantes, as prefeituras de São Bernardo, Diadema e Rio Grande da Serra informaram que realizam atendimento humanizado, principalmente para os que estão em situação de vulnerabilidade. Entre os serviços, as administrações destacaram os Centros Pop, unidades de saúde e atendimentos socioassistenciais individualizados. As demais administrações não responderam até o fechamento desta edição.







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