Poluição da Braskem alcança bairros mais afastados do Polo
- SBC Urgente

- 18 de mar. de 2025
- 3 min de leitura
Moradores da Cidade São Jorge, do Jardim Rina e da Vila Leopoldina sofrem com fuligem e dificuldades para respirar.

Os impactos das emissões de poluentes da indústria química Braskem, empresa com quatro das 14 unidades localizadas no Polo Petroquímico da região, não afetam somente a vizinhança no Parque Capuava, conforme relatos noticiado pelo Diário na última quinta-feira (13), mas chegam também a bairros mais distantes de Santo André, como Cidade São Jorge, Jardim Rina e Vila Leopoldina, de acordo com denúncias dos moradores, que sofrem com excesso de fuligem e dificuldades para respirar.
O morador aposentado da Vila Leopoldina Marcos Zaratini, 62 anos, reclama que, além da fuligem, o cheiro de química, dependendo da direção do vento, fica muito maior, chegando até seu bairro. “O polo petroquímico é, na sua maior parte, da Braskem, que sistematicamente queima as sobras do processo de refino do petróleo. Geralmente, a fumaça preta é maior quando as nuvens estão mais baixas, servindo como camuflagem”, conta.
A comerciante Ivonete Pixinim, 52, moradora da Cidade São Jorge, não consegue manter a limpeza de sua casa e loja. “Tem muita fuligem. Limpamos o chão e os móveis, que todo dia ficam pretos. Várias vezes por dia se passarmos o pano vai sair preto”, relata. O operador de máquinas Gabriel Facioli, 21, morador do Jardim Rina, diz que sofre com dificuldades para respirar. “Sinto o ar mais pesado. Percebemos a diferença quando vamos para outros lugares, porque aqui nos acostumamos”.
Também residente no Jardim Rina, o aposentado Abel Lopes, 58, costuma praticar atividade física ao ar livre, mas encontra dificuldade em função do excesso de fumaça vindo, segundo ele, especialmente das indústrias da Braskem. “É difícil caminhar e correr por aqui. Tem um forte cheiro nas imediações, principalmente de manhã e no fim da tarde, que dificulta a respiração. E os carros na garagem ficam cheios de fuligem. Temos que colocar capa”, ressalta.
Questionada pelo Diário, a Braskem disse que monitora constantemente o processo de produção e tem certificação ISO 9000, 14000 e 14001, o que, segundo a companhia, atesta sua responsabilidade socioambiental. “Além disso, somos constantemente fiscalizadas por órgãos ambientais competentes, que verificam periodicamente os dados de emissões atmosféricas das fábricas, o que garante nossa licença ambiental de operação para pleno desenvolvimento de nossas atividades”, informou a companhia.
“Como uma das empresas integrantes do Polo Petroquímico do Grande ABC e membro do Cofip (Comitê de Fomento Industrial do Polo Petroquímico do ABC), reconhecemos a importância de envolver esse comitê nos esclarecimentos e no acompanhamento dos questionamentos apresentados, já que ele representa 17 das empresas existentes no polo. É fundamental frisar que a Braskem não pode se responsabilizar por problemas que não sejam decorrentes de suas operações”, complementou a Braskem.
Apesar disso, em 2024, a Braskem chegou a ser multada por emissão de fumaça preta à atmosfera pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). A companhia foi condenada a pagar R$ 604 mil em multas, sendo R$ 265 mil para a Braskem Polipropileno 4 (PP 4) e R$ 339 mil para a Braskem Químicos 3 (Q 3 CK).
SAÚDE AFETADA
O Diário relatou, no dia 13, o drama dos moradores do entorno, vizinhos da Braskem e do Polo Petroquímico, que sofrem consequências ainda mais graves, como problemas de saúde, especialmente na tireoide. Em 2018, um conjunto de estudos, realizado pela FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e FMUSP (Faculdade de Medicina da USP), a pedido do MP (Ministério Público) de Santo André, indicou que a poluição do local potencializa o desenvolvimento de doenças, entre elas o mal de Hashimoto, problema na tireoide.
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