Tratamentos mudam vidas de autistas no Grande ABC
- SBC Urgente

- 2 de abr. de 2025
- 3 min de leitura
Crianças da região com TEA melhoram desenvolvimento com terapias e esportes inclusivos

Nesta quarta-feira (2) é comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma condição que traz uma série de desafios que podem comprometer o desenvolvimento das crianças diagnosticadas com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Dificuldade de regulação emocional, sensibilidades sensoriais e bloqueios para a interação social são alguns deles. Terapias e atividades amenizam os sintomas e garantem uma maior qualidade de vida.
O morador de São Caetano Eduardo Henrique Fernandes, 7 anos, é outra criança na avaliação da mãe e educadora Renata de Castro Carneiro, 43, depois de passar por uma série de tratamentos, entre eles psicoterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, musicoterapia e até ecoterapia, que utiliza cavalos para obter melhoras físicas e psíquicas. “Ele chorava muito. Agora é difícil ter uma crise de choro. Na escola socializa mais e as professoras dizem que ele está mais concentrado e menos agitado”, avalia.
Sua tia, a advogada Mara Salter, 59, destaca a melhora da sensibilidade sensorial de Eduardo, algo que causava bastante estresse. “Ele era muito sensível ao toque. Percebemos uma evolução bem significativa. Agora ele abraça bastante as pessoas e atende aos nossos comandos. Ele também era sensível a barulhos, pois colocava muito as mãos tapando os ouvidos. Agora vai até no shopping conosco e em locais com sons altos sem problema”, conta.
A psicóloga e psicanalista Priscila Redder, que faz uma das terapias em Eduardo - aplicação de radiofrequência -, explica a evolução do paciente. “A própria condição já traz algumas limitações de interação com o ambiente porque tudo é mais sensível, trazendo situações de estresse, que vão atrapalhar o foco, a concentração e organização mental, afetando seu desenvolvimento e aprendizagem. Com o estímulo, ele fica mais resistente e resiliente para as condições de estresse que vai viver ao longo da vida, tendo menos comprometimento.”
ESPORTES
Atividades físicas inclusivas transformaram a condição dos alunos de Mauá Heloísa Rocha Veloso, 9 anos, e Lívia Leandro de Sousa, 8. Elas fazem natação no Ginásio Celso Daniel e estão entre os 522 alunos rede pública do município com TEA. Os alunos podem realizar outras modalidades, como yoga, basquete, futebol, capoeira, artes marciais, entre outras.
“A natação ajudou muito a Lívia no desenvolvimento da coordenação motora. Ela ama a natação. É um projeto maravilhoso. Ela tem mais disciplina, não tem mais crises. E esses avanços são muito importantes na vida dela e também impactam positivamente na vida das mães atípicas”, conta a mãe Pâmela da Silva Sousa.
A mãe de Heloísa, Maria Silândia, também destaca os resultados alcançados em apenas um ano no projeto. “Alguns comportamentos dela mudaram. Ela dorme melhor, tem mais disciplina. As aulas têm sido fundamentais para melhorar o seu desenvolvimento.”
“Atendemos a partir do nível de suporte 2, que são alunos que não conseguimos incluir em uma turma regular, e trabalhamos essa criança evoluir e, de repente, inclui-la em uma turma regular. A atividade melhora a coordenação motora, a condição física, a concentração, a memória, a autorregulação, a saúde mental e, principalmente, a interação social”, afirma a professora Carolina Giomo, especialista em PCDs.
O secretário de Esportes e Lazer, Marcio Bertucci, destaca a importância das atividades físicas da melhora geral da condição das crianças autistas. “Temos muitos feedbacks de pessoas que não saiam de casa, ficavam reclusos, e melhoraram a parte cognitiva e o desenvolvimento motor, além de ajudar na socialização. Entendemos que o esporte é uma ferramenta importantíssima para trabalhar a inclusão e as necessidades especiais para que eles possam ter um convívio melhor perante toda a sociedade.”
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